A Inglaterra foi o berço da Revolução
Industrial. Nos séculos XVIII e XIX, o sol nunca se punha sobre o império
inglês, tão grande e abrangente era ele no mundo. Após a Revolução Francesa,
medo e esperança se misturavam na Inglaterra. Havia ali tanto o trabalho da
igreja anglicana como o protestante de várias denominações, além de grupos
cristãos independentes convivendo e obedecendo ao "Ide" de Jesus. No
começo, o grupo mais abrangente era o metodismo de Wesley e Whitefield.
A igreja anglicana, segundo seus historiadores,
desde o seu início não se opunha ao papado enquanto doutrina, mas sim ao poder do
Papa nos seus domínios. Daí o famoso Ato de Supremacia em 1534, no qual o
Parlamento inglês declarou Henrique VIII “Senhor da Igreja da Inglaterra”,
substituindo o poder papal. Posteriormente, esse Ato de Supremacia foi
substituído por outro no reinado de Elisabete I, a principal responsável pela
consolidação da Reforma Protestante na Inglaterra. Os Trinta e Nove Artigos
estabelecidos por ela em 1563 definiram a doutrina anglicana, que assumiu uma
visão própria frente às doutrinas calvinista, luterana e católica. Surgiram
então os conceitos de High Church
(Igreja Alta) e a Low Church (Igreja Baixa). A Igreja Alta, que surgiu
para atender os interesses da realeza e da nobreza, era caracterizada por se
opor aos princípios essencialmente reformados, apreciando o legado tradicional
católico da pré-reforma. A Igreja Baixa era essencialmente protestante, uma igreja
reformada, herdeira das heranças puritanas e calvinistas; ela subvalorizava o episcopado,
o sacerdócio, os sacramentos, bem como defendia o primado das Escrituras e da
salvação unicamente pela fé, centralizando toda a sua espiritualidade em torno
da Bíblia e a Sola Scriptura, em contraste com o reconhecimento que o Anglicanismo
fazia da tradição e dos primeiros Concílios e escritos dos Pais da Igreja. Esse
segmento atendia mais os anseios das classes média e popular. Ambas as alas
seguiam a mesma crença em torno do Livro de Oração Comum, dos 39 Artigos da
Religião e das Homílias Anglicanas. Na verdade, o Anglicanismo sempre nutriu,
desde as suas origens, uma grande tensão interna.
Tendo sido anglicano durante toda a sua vida,
John Wesley criou um sistema próprio de visão da atuação eclesiástica, a hoje conhecida
como linha wesleyana. Para Wesley, a chave da reforma social era a
conversão do indivíduo, que deve resultar em boas obras na sua atuação. Maldwyn
Edwards afirmou sobre Wesley: “Ele achava que o indivíduo era responsável
pelo bem estar social, e não o Estado. Era o dever e privilégio do rico ajudar
o pobre, do entendido esclarecer o ignorante, do santo buscar o pecador. Ele
colocava a sua inteira confiança no esforço pessoal e individual.” Os
metodistas voltavam-se contra o jogo, a bebida alcoólica, o contrabando, o
teatro e os lugares de divertimento popular, achando que, por causa dessas coisas,
a Inglaterra se aproximava rapidamente da lascívia universal. Wesley sempre
sugeria que o metodista ocioso ocupasse o seu tempo visitando os enfermos,
lendo filosofia ou história da Igreja, ou fazendo alguma obra de caridade;
assim, sobrariam poucas horas para os divertimentos mundanos. A excelência
moral dos metodistas despertou o senso moral da Igreja da Inglaterra e, depois,
de todo o país. Wesley não combateu os aspectos maléficos da Revolução
Industrial, mas mostrou aos cristãos suas responsabilidades pessoais perante o
problema. Sendo homem de visão larga, ele percebia a vantagem de dar serviço em
vez de esmola para os necessitados. Muitas instituições (como orfanatos, lares
para viúvas e escolas) também serviram para aliviar o sofrimento causado pela
pobreza. A diligência, a economia, a generosidade para o trabalho de Deus eram
por ele consideradas coisas sábias.
Impelidos pelos metodistas, os evangélicos dedicaram-se a causas sociais do povo negligenciado e oprimido. Roberto Raikes, redator e dono de jornal, influenciado pelo reavivamento wesleyano, é considerado o Pai da Escola Dominical. Conforme o historiador Green, “as escolas dominicais estabelecidas por Raikes foram o começo da educação popular”. Lord Oglethorpe voltou a sua atenção à Colônia de Geórgia, na qual ele investiu a partir de 1733 como refúgio para pobres devedores e protestantes oprimidos; na verdade, a possessão inglesa na América tornou-se uma colônia penal para aliviar as prisões inglesas da superlotação. William Wilberforce (1759-1833) era líder da Comunidade Clapham, sendo um homem de posses, de educação liberal e talentos incomuns, com sua eloquência natural. Com seus companheiros da Clapham, discutiam-se injustiças e erros do país, bem como se buscavam soluções para os mesmos. Era uma fraternidade admirável e, segundo um dos biógrafos de Willbeforce, "nunca houve nada igual até então na vida pública britânica". Várias sociedades surgiram a partir de Clapham, enfrentando desafios como missões, impressão da Bíblia, bem como a situação da pobreza e das prisões. Para chegar a bom resultado, além do discurso parlamentar, eles se valeram da criação da opinião pública e a pressão desta junto ao governo. Literatura, palestras, campanhas e toda a publicidade foram usadas para se chegar ao objetivo final do problema maior: acabar com o tráfico escravo, conseguido em 1807, até que a liberdade total dos escravos viesse em 1838, quatro dias antes da morte de Wilberforce.
Grande foi a influência de Wesley e do metodismo na Inglaterra na Era da Modernidade.